Outro dia foi aniversário de um amigo meu, e fomos com uma galerinha bater um rango no Leblon. Ao fim das festividades, cada um seguiu seu rumo, e eu caminhei a pé até a praia para pegar um ônibus / van / seja lá o que for para voltar pra casa. Chegando na Delfim Moreira — que não é a Vieira Souto — olhei para os lados e vi dois novos prédios residenciais, e tive um pequeno choque de realidade e uma pontadinha de nostalgia.
O prédio que estava à minha esquerda, a bem da verdade, eu só visitei uma vez: quando rolou uma festa de um amigo cuja família era dona do imóvel e estaria vendendo aquele terreno… isto é, o prédio iria abaixo. A festinha foi maneira e com música boa, tocada pelos próprios frequentadores nos CDs… duas memórias curiosas da ocasião foram o fato de eu ter conhecido uma menina de fora do Rio que nunca mais vi, apesar de eu ter falado com meus amigos; a outra que descobri ser comprometida da maneira mais inusitada: ser informado — dias depois — que ela namorava um amigo meu. Que bom, né? Vai que ela cede aos meus encantos (sic) e eu perco o amigo? Pois é, ser honesto é um jogo que só tem vencedores, mesmo que às vezes não pareça o caso.
Já o prédio do outro lado da rua abrigava o lendário Caneco 70, bar que até o fim de sua existência apresentava os ladrilhos pintados na parede comemorando nosso tricampeonato da Copa do Mundo. Foi lá que fui a um monte de tipos de eventos, indo de encontros de BBS a até mesmo conversas com amigos e amigas para rir e afogar as mágoas com chopinho e fritas. Lembro da desolação que foi quando eu soube que o Caneco ia acabar, e só acreditei quando vi o terreno vazio. Lá se vai um pedaço da história do Rio para dar lugar à história de pessoas como eu e você — ok, talvez nem tanto, já que os imóveis de lá devem custar os olhos da cara.
De qualquer forma, outro dia vi algo que me deixou com um franco sorriso no rosto, e pena que não deu para tirar uma foto: um grupo de amigos carregando a esta esquina uma mesinha, cadeiras de plástico, cervejas e uma grande faixa impressa escrito “Caneco 70″ — com o logo do bar — e parando ali como se estivessem honrando a memória de um velho amigo.
np: ”Red Dress”, TV On the Radio