Em uma das visitas que fiz à minha família na Inglaterra, algo inesperado aconteceu. A caminho do trem para Londres, eu vi a mesma mulher três vezes: ruiva, olhos claros, belíssima… portanto, inalcançável. Uma vez no caixa eletrônico, outra no caixa do mercado, e a última na plataforma da estação propriamente dita. Lá eu poderia optar por pegar o trem velho e parador, ou esperar um pouco e pegar o novo que chegaria mais rápido ao destino.

Eis que chegou o primeiro, e pensei se valia a ida ou não… e a ruiva entra no vagão.

Bateu aquele dilema se eu entrava nele também ou não — mas foi rápido o suficiente para que portas se fechassem, eu olhar para a beldade na janela… ela sorrir e acenar para mim, e o metrô velho partir da estação. Anos depois ainda me pego pensando nesta situação, nas oportunidades que pintam na vida, e como vale a pena arriscar a sorte de vez em quando. Por mais avesso que eu seja aos “what-if” da história, juro que fico curioso com os desdobramentos que uma decisão que eu tivesse feito diferente trariam.

Afinal de contas, o que fazer da vida: optar por um caminho estável e — até onde se saiba — garantido, ou dar uma chance ao acaso e ser surpreendido? Às vezes, este tipo de escolha me rendeu bons resultados, inclusive no campo profissional… não que dê certo sempre, obviamente, mesmo porque isto não rola no mundo real. Todo mundo erra em algum momento, mesmo que seja de boa fé, na melhor das intenções, e por aí vai.

É por essas e outras que às vezes bate aquela inquietação, uma vontade de fazer algo diferente para mudar a paisagem… pois não adianta: a cada oportunidade que me aparece, a cada possibilidade que me é posta, a ruiva sorri e acena para mim, e talvez ainda haja um lugar vago ao lado dela no trem este tempo todo.

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