Um dos livros que andou pela minha cabeceira da cama recentemente foi Hawking e os Buracos Negros em 90 Minutos, do Paul Strathern, que faz um apanhado geral sobre a vida, obra e desafios deste gênio da raça. Já comprei tem uns bons 8 anos, mas deu vontade de reler. Ironia da vida, ando tão ocupado ultimamente que não consegui lê-lo de uma tacada só, mesmo se tratando de uma leitura rápida. Após o final da história, vem uma linha do tempo desde o Big Bang até a especulação educada da expansão máxima do Universo, o surgimento de vários buracos negros em um curto intervalo de tempo e o “Big Crunch” final… supostamente, daqui a uns 25 bilhões de anos.
É batata: quase toda vez em que leio textos sobre o Universo e o tempo — seja uma obra de ficção ou ciência mesmo — bate aquela sensação de insignificância, dado o nosso tamanho e nosso período por aqui. Tipo, assistir Contato é garantia de pegar lencinho na seqüência final sempre. Mas ao mesmo tempo, andamos tão concentrados em fazermos o melhor possível da vida para que vivamos bem conosco e com os próximos que temos nossa própria importância em nossa ridiculamente pequena esfera no braço de Órion da Via Láctea.
No frigir dos ovos, acho que é tudo questão de referencial, não é? Escrevendo este post, não consegui evitar a lembrança de Powers of Ten (“Potências de Dez”), filme produzido em 1977 mostrando os níveis de escala nas potências positivas e negativas de 10 — isto é, do macro ao micro — de maneira singela e brilhante. Confiram abaixo o que quero dizer:
Vá lá, tenho noção de que esta não é a primeira vez em que entro numas de questionar a existência – está lá o post sobre a ativação do Large Hadron Collider que não me deixa mentir — mas é que mesmo com os perrengues que rolam na vida (“nem tudo na vida são flores e coelhinhos”), mesmo com as decepções e tristezas do mundo… permanece a sensação de querer ver a Terra dar a volta por cima. Torcer pelo menorzinho, sabe?
Fica a lamentação que não vivemos para ver tudo o que há de bom e interessante que está por vir. O jeito é continuar vivendo bem e fazendo seu melhor…. mas que dá vontade de ser duradouro / imortal / reencarnado para ser testemunha de todos estes eventos, isso dá.
np: “Talkin’ ‘Bout The Smiling Deathporn Immortality Blues (Everyone Wants To Live Forever)”, the Flaming Lips