Outro dia eu voltava de metrô para casa, e enquanto o ônibus que dá continuidade à minha viagem não saía, entraram dois adolescentes que davam a impressão de serem – a perigo de eu soar mais velho do que deveria – chatos pra cacete. Falando alto como se não tivesse ninguém à sua volta, esse tipo de coisa. Eis que um deles saca um iPod dos mais recentes (não, eu não tenho certeza de qual), divide o fone de ouvido com o amigo e começa a papear sobre as músicas que estavam gravadas.
Temi pela minha idade mental quando me peguei imaginando: “putz, lá vêm eles falarem de tranqueiras como CPM 22, Elixir Zero e Linkin Park (tipo, tanta banda melhor, do mesmo gênero e contemporânea para gostar etc…)”. E o dono do player pergunta pro amigo: “conhece Money?”, e começa a cantar Pink Floyd. E pula para Michelle, dos Beatles… e vai para Dancing Queen, do ABBA. “Aquela da banda dos travecos”, disse o jovem, antes de voltar a cantarolá-la e embromar loucamente uma versão de Fernando.
Mesmo com esta última frase bizarra, fiquei agradavelmente surpreso com a cena, e — olha eu entregando a idade novamente, e não dando a mínima — tentando traçar paralelos comigo na idade que deduzi que tivessem. Curiosamente, eu ouvia poucas destas na ocasião, e estava mais ligado nas paradas da época como os Smashing Pumpkins, Red Hot Chili Peppers, Nirvana e tal. Mas curiosamente, pelas minhas contas, foi mais ou menos na idade deles em que comecei a escutar e dar bola de verdade para David Bowie, Beach Boys, etc…
Eterno retorno: em um ônibus bem pertinho de você.
np: “History Repeating”, Propellerheads feat. Shirley Bassey