Já tem alguns meses que eu curto o som do Zumbi do Mato. Escuto a música anárquica destes veteranos do underground carioca desde a época da demo “Macacomóvel” — que ainda tenho perdida em casa e preciso consertá-la, porque arrebentou exatamente o finalzinho no rolete… enquanto não sai a versão em MP3, né? Agora a cobrança é online! — desde então é como se fosse, no mundo da música, o equivalente à piada interna: muitos riem, outros não entendem, terceiros ficam boiando, e aqueles que sacam as referências esboçam aquele sorriso de quem sabe das coisas.
Tem uma galera que não curte muito por conta do caos sonoro e das letras aparentemente estapafúrdias; particularmente, a caça às referências é só um dos fatores que me divertem ao ouvi-los. Sem exagero, teve passagem deles que eu passei uns bons quatro anos sem sacar por eu ser uma nulidade em futebol (“quando tem a chuva negra na terra do nascente sol / todo mundo vira torcedor do Peñarol”), sem contar o ocasional fraseado musical solto no meio da música (como o tema de OutRun no teclado no meio de “Fica Molhada”).
O bacana é que nos idos de 1990 e pouco eu morava em Jacarepaguá e descobri, na sorte, que o Zé Felipe — um dos gênios do mal da banda — trabalhava em uma locadora perto da minha casa, e ficávamos batendo papo sobre música e cinema por lá; cheguei a até ver o curta de stop-motion “Rali de Feijão”, num climão Monty Python, que nunca mais tive oportunidade de assistir (pro tip: YouTube!). Com o tempo conheci o Löis Lancaster e parte da galera das inúmeras formações da banda (até mesmo o Fumê, ex-vocalista tão insano quanto o cargo de “cantor do Zumbi do Mato” requer), e o Zumbi do Mato se tornou parte das minhas referências da juventude que carrego até hoje.
Enquanto fico na torcida de mais 18 anos (acho que é isso) de carreira, recomendo o álbum ao vivo “Toma, Figurão”, gravado este ano e disponibilizado como download grátis no site oficial da banda, com direito a faixas inéditas… e se quiserem rir mais um bocado, confiram os videoclipes no YouTube. Pelos anos e serviços prestados, quebra-cabeças sonoros e líricos e o riso garantido, digo: valeu, Zumbi!
np: “Pensou Que Foi Comigo”, Zumbi do Mato