Doctor Parnassus

Terry Gilliam é um dos meus cineastas favoritos. Não contente em ser parte do Monty Python, ele ainda tem em seu currículo obras como “Brazil” e “12 Monkeys”. Infelizmente, Gilliam anda em uma maré de má sorte há um tempo: “The Man Who Killed Don Quixote”, inspirado pela obra de Cervantes, foi prejudicado pelas intempéries, o adoecimento do ator principal e um imbróglio com os direitos e seguro das filmagens. O drama da vida real rendeu até um documentário chamado “Lost In La Mancha”.

Guardadas as devidas proporções, foi por pouco que “The Imaginarium of Doctor Parnassus” não passou por roubada similar. Afinal de contas, um dos astros do filme – Heath Ledger em seu último papel – morreu em dado momento da produção. A maior ironia de todas é imaginar que a solução usada para o filme (convocar outros galãs da atualidade para dividirem seu papel) possa ter ficado melhor do que o originalmente concebido… e ainda por cima, cabendo na trama com uma sinistra perfeição.

Se a história do filme apresenta a imaginação de cada um ao entrar no espelho do teatrinho ambulante de Parny (como seu antagonista o chama), não fica nada estranho ver que pessoas diferentes têm percepções diferentes do peraonagem de Ledger, vendo-os como Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell. No geral, o visual do filme é incrível (sinceramente… por melhor que a direção de arte de “Avatar” seja, o Oscar era mais merecido a este), e a trama doida como de costume diverte e encanta – realmente, é de fazer a imaginação voar alto.